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SUJEITOCULTO texto de Milton Alexandre Cardoso

  • Foto do escritor: Punctum Ars et Adfectus
    Punctum Ars et Adfectus
  • 28 de mai. de 2023
  • 2 min de leitura

SUJEITO'OCULTO



São muitos os fatores que caracterizam o abstrato, desde a ruptura com o figurativo ao uso característico de formas e cores simples que dialogam com a imaginação e sobretudo com a percepção do ser, pois quem é o sujeito oculto nos traços de Hélvio Benício? Tenho uma forte opinião sobre isso, mas como toda arte é deixada ao acaso eu opto por manter a prosa.

De modo geral, o abstracionismo não surgiu em 1910 com a “Primeira Aquarela Abstrata” de Kandinsky e sua série de obras, ouso afirmar que o abstrato acompanha a humanidade desde os seus primórdios, renasce em cada ser humano que traz para o papel, para o tecido ou para as paredes sua vontade de exprimir em traços o abstrato de seu interior. É claro que a corrente vanguardista marcada pela obra do russo Kandinsky é um movimento sui generi que trouxe luz e valorizou a arte da não representação, a arte que ainda hoje questiona a própria arte e a impulsiona, mas sinto informar que o ineditismo do movimento foi valorizar o que não pode ser comparado.

É de se concordar que a arte figurativa necessita de um molde, um modelo, um cenário, mesmo que imaginários, que se expande ou mitiga de acordo com a vontade do artista e corriqueiramente é comparada aos modelos que as originaram, tem seu mérito e sua beleza. Já o abstrato não pode ser comparado justo porque o sujeito está oculto. Novamente o sujeito se faz presente, nesse caso, pode ser o molde ou a inspiração, porém este não pode ser detectado sem o veredito do artista. O que ele quis mostrar com isso? O que Hélvio quis expor? Talvez seja tudo ou seja nada, mas está exposto e é belo, e o que é? Só se sabe sentindo, pois ver não basta.

Com a ascensão tecnológica e todos os recursos fotográficos existentes há espaço para o que não pode ser captado por lentes de alta definição, para o que não pode ser aplicado filtros ou corrigido em software, em suma, para o que é abstrato. A identificação com esse espaço pode se remeter à criança que riscava as paredes antes de tentar traçar os animes que assiste, e talvez lance a hipótese de que o artista permitiu-se continuar criança, em sua sabedoria, não ingenuidade.

São tantas as possibilidades oriundas ao sujeito oculto que agora lanço a minha opinião. O sujeito oculto na obra de Hélvio é o receptor que tem o direito de interpretá-la com as ferramentas, conhecimentos e sentimentos que carrega. O sujeito oculto na obra é quem vê, então me diga, o que você vê? Aproveite a exposição, se descubra.


Milton Alexandre Cardoso

 
 
 

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