
VELADURA
- Punctum Ars et Adfectus

- 12 de mai. de 2023
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Vestiu-se de farrapos tecidos em longas e tediosas fibras. Sonhou com o mar daqueles dias. Correndo assustado para a praia.
Existir são sobreposições de camadas, uma após a outra. Experiências des-veladoras, onde deixar de ser cópia é doloroso. Angústia lançadora de sentidos fissurados, o fim do homem sua verdade única. Finitude, solicitude, amplitude.
Não há como fugir do tédio por muito tempo.
Lá, onde o olhar brinca com a dor é inevitável não se encontrar como poética.
Ao olhar o nada em silêncio, um toque de lembrança diz aos olhos que contemplam o início da sua jornada. Um leve sorriso lança os lábios ao rosto beijado de antes.
Sensação prazerosa é olhar as faces do tempo.
Ergue-se no arco do corpo uma voz muda, a observar o rebento prestes a ser presença.
Vida, morte, vida, um suspiro.
Corpo, som que vibra em movimentos...
dissonantes, consonantes, reverberantes.
Uma dança traz tanta admiração,
gozo, repúdio e vontade.
Fome, dor, ronco, dentro, fora.
Caminho solitário ao nada.
Longe terra da memória. Árida e seca de sal. Caindo uma parte a cada passo.
O olhar é senhor do tempo. Está parando... ralentando ... pendulando... carregando... peso... solitário... pesado. Os olhos estão fustigando, fechando.... Desenhando no chão as suas memórias.
Você sabe o que o corpo pensa quando está a dois?
Abraço de teus olhos. Adeus de tuas mãos...
o som do vento.
Hélvio Benício
Pandemia, 2020.
Ilustração, William Blake.
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